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Foi exatamente isso que senti ao pisar na África do Sul pela primeira vez em uma de minhas fugidas em férias. Ando pra lá e pra cá para sentir o lugar, observar locais, pessoas, costumes, pois assim sei onde posso e como posso fazer alguma coisa. As duas cidades em que fui Johanesburgo e Dhurban. Nas duas cidades percebi a forte presença dos Indianos que vivem por lá ao terem fugido do seu país, Índia. Geograficamente em relação ao mapa da Índia para África do Sul é algo como quem vive em Natal e desce pra São Paulo ou Rio de Janeiro e em tempos de Copa do Mundo a África do Sul é o lugar do momento e pra quem não conhece e pensa num lugar paupérrimo, a África do Sul de um modo geral engana muita gente. Se você pensa que é um país sujo, sem cultura, sem infra-estrutura alguma está enganado. Aliás, não se engane também no trânsito. Por ter sido posse da Inglaterra no passado o trânsito lá é na mão inversa da nossa e ai muda tudo, volante ao lado direito de todos os carros e todo o sentido inverso de direção. O tempo que eu fiquei lá, quase duas semanas deu pra estudar um pouco a história do local, e entender o que havia sido a apartheid, visto por eles mesmos e não por assuntos de jornais que vemos por aqui e constatar que a coisa era brava mesmo por lá. Imagine você um negro sul africano, trabalhando nos locais de subemprego no centro da cidade e começa as 07h00min hr e a partir das 16h30min hr da tarde termina o seu serviço pega o seu ônibus para voltar pra casa. Aliás, ônibus não existe, existem Vans, porem uma coisa me chamou a atenção: elas não tinham o nome do local para onde iam. Eu até queria pegar uma pra ir a algum lugar, mas não soube como fazê-lo. Só depois me contaram que era pelo movimento de mão que se sabia pra onde a Van seguiria. E como não poderia deixar de ser as Vans sempre iam para os bairros bem afastados na periferia, e se algum policial (havia negros na polícia também) te pegasse fora do horário em locais perto do centro da cidade onde os brancos tomavam o seu chá ou o seu café e passeavam ou conversavam, você estaria preso. E se durante o dia na calçada andando ao virar para a direita ou para a esquerda e viesse algum branco na mesma direção você teria que parar e olhar para o lado contrário ou então imediatamente atravessar a rua, depoimento que tive de várias pessoas que conheci por lá, imagine... Mas também é terra de Nelson Mandela o grande, terra do bairro Soweto e de Desmond TuTu que são os grandes defensores dos direitos dos negros na África do Sul e são também, os dois únicos prêmios Nobel no mundo a morar na mesma rua na história mundial...
A luta que Mandela teve na vida como ativista política até ser preso, em sua residência, foi algo arrepiante. A casa onde ele morava está justamente do jeito que ele foi preso e hoje é um museu. Lembro que ao entrar, percebi no armário de parede do quarto (ele estava dormindo quando a polícia chegou) havia uma ruptura, algo assim como um buraco feito por alguma coisa oval. E uma pessoa de lá me disse que quando ele foi pego houve briga e ele bateu a cabeça no armário e com o desmaio, ficou fácil algemá-lo e levá-lo preso, o restante da história todos nós sabemos quase trinta anos de prisão em regime fechado que só ele pode dizer. Hoje se tornou um dos mártires do apartheid, se tornou presidente do país, a África é um país livre, todos vivem harmoniosamente. Esporte de massa do país rúgbi onde também tem negro que faz parte da seleção, golfe e outros. Isso tudo no bairro de Soweto onde depois andando pelas redondezas (eu não tenho medo, simplesmente ando vejo, entro mais tenho o cuidado de ter algumas camisas da seleção brasileira e outros presentinhos do Brasil e não ando com documentos quando viajo Soweto significa uma pequena cidade do sul) e num dos dias encontrei algumas senhoras saindo de uma missa onde elas desciam cantando em dialeto local perto de uma escola, esse ritual uma pura demonstração da cultura de subúrbio, que eu por sinal adoro. Mas a África do sul tem suas outras coisas pra fazer como voltar ao passado indo a Zulu Land cidade onde os negros Zulus vivem até hoje e mantém suas culturas e vivem da mesma forma do seus antepassados. Terra dos Zulus tem dança, música, história, cultura, tudo a vista pra você ver e aprender sobre a tradição dessa tribo, pois existem milhares de outras por lá.
Mas o principal roteiro turístico é o Safári no Kruger Park, No hotel eu vi esse pacote e claro, foi à primeira coisa que marquei para 3 (três) dias após andar pela cidade. Chegado o dia foi esperar a Van no hotel, pegar algumas pessoas em outros hotéis e depois se parte para Kruger.
Kruger National Park é um parque com mais de dois milhões de hectares onde animais vivem soltos e você pode fazer o seu safári por lá. No meio da viagem você tem algumas paradas simplesmente maravilhosas pelas montanhas e cidadezinhas com o povo sul africano mostrando e oferecendo seus produtos pra venda. Após 6 horas de carro por uma excelente estrada, (depois das da Alemanha as melhores que eu vi) saindo de Johanesburgo se chega a uma pequena vila onde na realidade é também o hotel e é recebido pelas tradições locais onde pernoita. Nesse pernoite foi uma cultura muito legal, aonde você vai para o seu bangalô (eu sempre viajo sozinho) toma um banho dá uma voltinha e depois é servido um jantar no meio do gramado a luz de tochas imensas, como nos filmes do Tarzan mesmo. Após o jantar, um jipe lhe pega e faz um pequeno safári ali perto do hotel onde tem vários animais também como girafa, muitos macacos de vários tipos, zebras, antílopes, aves de todos os gêneros e depois às 10h30min volta pra dormir porque serão despertadas as 04h30min da manhã para o café e seguir para o safári.
É melhor ir cedo, pois o calor depois das 11h00min afasta os animais e eles ficam descansando, no caso de leões, onças, e afins nas árvores fugindo do sol e assim se torna mais difícil vê-los. Ou então a partir das 03h00min, quando o sol fica mais fraco eles já podem ser mais vistos. Mas no meu caso deu pra ver os três grandes da floresta. Rinoceronte milhares em um lago, leão (dois casais com seus filhos e um grandão que devia ser o chefe da família caçando), e elefante. Do lugar onde eu estava na ponte o tamanho do elefante já era imenso, imagine por perto. Fiquei um pouco apreensivo ao saber que muitos leões estavam sendo mortos por estarem com movimentos e alterações no seu cotidiano e muitos tiveram que ser sacrificados. Ai eu perguntei o porquê. Um dos funcionários disse que há uns 20 anos atrás, os leões se alteravam com a presença de humanos, com o gesto típico de levantarem o pescoço para sentir o odor do ambiente com a chegada dos veterinários botânica. Ao querer saber mais sobre o assunto ele me disse que a África do Sul faz fronteiras com muitos países pobres em volta que vivem muitas vezes liderados por ditadores africanos, Namíbia, Zimbabwe, Maputo, Botswana, Pretória. Eram os locais de onde saiam alguns fugitivos para fugirem para a África do Sul, mais rica, por ser posse da Inglaterra.A única forma de fugir do país era atravessando a(s) fronteira(s) e depois atravessar o Kruger. O parque é gigantesco e o controle dos animais é feito por helicópteros e perceberam que muitos leões ao sentir o cheiro da carne humana agiam de maneira não habitual. Depois de um tempo os veterinários resolveram fazer um estudo pra ver o porque disso tudo, até que sedaram com flecha alguns leões. Encontraram em seus estômagos esqueletos humanos e também muitos outros esqueletos pelas redondezas. Começaram a procurar o motivo dessa mudança, que poderia acarretar um enorme problema se esses leões, que vivem e ficam mais perto das fronteiras, resolvessem andar para todos os lados a procura desse tipo de carne nova, a humana. Encontraram vários corpos de fugitivos perdidos e mortos na floresta e a partir daí o caso ficou esclarecido. Os fugitivos se perdiam e se tornavam alvo fácil para alguns felinos. Depois de uma grande avaliação alguns animais, que estavam se acostumando com a carne humana foram sacrificados, e nos dias de hoje tudo voltou ao normal. Parece mentira, mas voltando ao safári, depois de algumas horas, uma pausa para comprar uma água, e aí vi que, nós brasileiros, estamos muito atrasados em relação a algumas coisas que acontecem no mundo, principalmente no que se refere ao turista que tendo esse conhecimento passa falar bem do local e volta. Quando paramos percebi que o banheiro era mais limpo que o da minha casa e de muitos hotéis por aqui do Brasil e com ar condicionado, toalha de pano, sabonete e algumas outras coisas. Imagine você chegando a um estádio de futebol e o banheiro serem mais limpo que o da sua casa e ainda com ar condicionado, e tudo isso em plena África do Sul? Pois é, falta muito ainda para chegarmos nesse nível, mas espero que eu esteja aqui pra ver essas mudanças. Aprendi muita coisa nesse país de onde sou com muito orgulho descendente. Um puta Abraço. Mário Sérgio
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