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| Home >>Imprensa >> A história da saída do Cleber Augusto | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Durante esses mais de não sei quantos anos que nos conhecemos nos pagodes do Cacique e principalmente nos meus dezoito anos de Fundo de Quintal, digo que é uma pessoa especial, engraçada e amigo de todos. Cleber passou a ser componente do Grupo Fundo de Quintal no ano de 1983 no cd Nos Pagodes da Vida. Conheci o Cleber em Ramos, bairro onde eu morava no Rio de Janeiro , na área da Leopoldina onde se encontra o Cacique de Ramos e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense e também coincidentemente o bairro onde Neoci morava. Depois de alguns anos Cleber se mudou para a ilha do Governador(onde também morei), onde morou por muito tempo. Muitas vezes no encontrávamos pelas bandas da Escola de Samba Ilha do Governador ou pelos próprios bares e botecos da ilha, além dos pagodes no morro do Dendê e do Bananal. Já conhecia sua família. Pais, primos, tios, amigos e principalmente seus irmãos que eram meus amigos de esporte de longa data, pois serviam na área de educação física da Aeronáutica e eu como atleta do Corpo de Fuzileiros Navais, ficava no CEFAN, e sempre nos encontrávamos nas competições de atletismo no Maracanã no estádio Célio de Barros. Em nossa vida de grupo, não me recordo de não termos passado um final de semana juntos fazendo shows pelo Brasil e tantos outros lugares e as vezes, essa semana começava a partir de quinta feira só regressávamos ao Rio na segunda pela manhã ou as vezes nem voltando. O compositor Para se entender melhor o Cleber é preciso primeiro saber o que ele é e para se conhecer um compositor como ele, é preciso conhecer e entender as suas obras, as suas músicas. E se você ainda não prestou atenção em suas letras, em suas melodias, e em sua interpretação, não irá o entender. Cleber é simplesmente aquilo que escreve em suas músicas. Eu que ficava a poucos passos dele nos shows na mais duradoura formação do Fundo, percebia seus olhos com lágrimas ao interpretar suas músicas, pena que o público não tinha o meu ângulo. Veja suas músicas no Fundo de Quintal Clique nos nomes para conhecer a letra.
Nas horas de folga era amigo, um excelente contador de histórias, de piadas e amante de um bom Whisky. Na parte musical não podemos deixar de mencionar sua harmonia impar ao violão, as melodias idem e o complemento que era o seu timbre de voz grave profundo. Para você aprender a ouvir um disco faça isso: No caso do FDQ, escute uma música, se concentre, busque o coro e tente identificar as vozes do coro. Você não irá me achar no coro pelo meu tipo de voz rouca, mas com certeza vai observar o grave do Cleber principalmente. Faça e depois me diga se eu estava enganado. Essa diversificação de timbres é que sempre foi o diferencial do Fundo de Quintal. Lembro que perguntei a ele se era uma decisão momentânea, definitiva ou apenas falta do que falar, e se não seria melhor esperar e pensar um pouco, afinal sabe o que faz um Whiskizinho né? Mas ele sempre confirmava a intenção em sair porque um amigo iria arcar com as despesas e bancar o disco, que já estava até com as músicas prontas. Sempre nas rodadas informais de samba acontece o seguinte: você tem que ir num lugar onde não quer ir, tem que ouvir o que não quer ouvir, falar o que não quer falar e cantar o que não quer cantar e ai vem alguém (geralmente no meu caso vem um bêbado) dizendo que tem interesse em ouvir e ver você em um disco sozinho e mais aquelas coisas que pretende e vai bancar tudo, que conhece todo o seu trabalho, que isso e aquilo e no final das contas, nesse caso, deu no que todos nós já sabemos. Depois que o Cleber saiu, essa pessoa sumiu, as outras também, os amigos do Whisky também e finalmente ele não conseguiu patrocínio e nenhuma gravadora pra gravar o seu disco. Antes de sua saída ele deveria cumprir alguns shows e também estávamos prestes a gravar o primeiro CD e DVD com convidados e dissemos a ele como último trunfo, que seria importante para a história dele e do grupo depois de tantos anos de luta que todos nós do samba de Fundo de Quintal tivemos, mas ele confirmou sua saída e como todos os outros que saíram, assinou um termo de descompromisso com o grupo e a partir daí cada um foi cuidar da sua vida . Como visto aqui, não foi pelo motivo da doença que ele saiu, ele adoeceu alguns meses após a sua saída. Nos shows, Cleber entre os partidos e as dolentes tinha o seu momento especial para interpretar as suas músicas, e depois na hora que subia pro agudo novamente nos partidos ele acompanhava a levada com seu violão de 6 cordas funcionando como 7 com seu modo e estilo único de tocar. Tive oportunidade de fazer várias músicas com ele e algumas também gravadas pelo Fundo. Cleber, não é muito de internet, email, twitter etc mas se chegar algum endereço para contato e eu for autorizado, postarei aqui para os seus fãs. Um amante da música de João Bosco, inclusive fazendo músicas com um dos maiores parceiros de João Bosco que foi Aldir Blanc, hoje vive no bairro da Tijuca Rio de Janeiro com familiares, está em tratamento e esperamos que receba todo o abraço e apoio do nosso povo do samba daqui e dos que já se foram e eu, com toda lucidez posso dizer que a nossa amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir. Valeu por você existir.
Mário Sérgio
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